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O vidro é feito totalmente com matérias-primas
naturais, não químicas Uma das mais difundidas lendas a
respeito do vidro conta que ele foi descoberto casualmente por navegadores
fenícios, há cerca de 4 000 anos, ao acenderem fogueiras
na praia. No solo estavam duas matérias-primas básicas,
a areia e o calcáreo (de conchas marinhas), que se transformaram
em vidro pela ação do calor. Comprovadamente, no século
27 a.C., portanto bem antes dos fenícios, os egípcios já
conheciam as técnicas rudimentares de produção do
vidro. Ao lado, a reprodução de antiquíssima cena
do cotidiano egípcio mostra escravos utilizando objetos de vidro,
no ato de embelezar uma princesa. Não só essa cena, mas
objetos encontrados em escavações arqueológicas,
comprovam que o vidro é fabricado pelo homem desde tempos imemoriais.
Hoje, o vidro está presente em todos os aspectos da vida das pessoas
- na forma de lâmpadas, vidraças, vidros de automóveis,
óculos, microscópios, telescópios, cinescópios
para televisores e micro-computadores, tubos de laboratórios, utensílios
domésticos e incontáveis outros artigos. As matérias-primas
do vidro são praticamente as mesmas de cinco mil anos atrás.
O que mudou, como é natural no que se refere a tudo que o homem
fabrica, foi a tecnologia de produção. Processos automatizados,
nos quais o uso da informática já é corriqueiro,
possibilitam obter produtos perfeitos e plenamente adequados ao uso a
que se destinam. Uma das formas mais comuns de uso do vidro são
as embalagens, empregadas para acondicionar alimentos, bebidas, medicamentos,
perfumes e outros produtos. No Brasil, mais da metade do volume de vidro
produzido anualmente são embalagens, que, graças à
permanente atualização tecnológica do setor vidreiro,
saem das fábricas cada vez mais leves e mais resistentes a choques.
Dentro de sua imensa diversidade de tamanhos, formas e
cores - vale dizer, de sua inigualável versatilidade-, o vidro
é o único material que mantém simultaneamente três
importantes atributos que o diferenciam dos demais materiais de embalagem,
principalmente no que diz respeito à preservação
ambiental.
1. O Vidro é retornável
Aproximadamente metade das embalagens produzidas
anualmente no Brasil é constituída de recipientes retornáveis,
como as garrafas de cerveja e refrigerantes. Essas embalagens são
reaproveitadas em seu uso específico dezenas de vezes, sem problemas
de deformação nem de absorção de sabores quando
lavadas em altas temperaturas e com detergentes necessários para
sua adequada assepsia. A retornabilidade, com o uso do vidro para o mesmo
fim, várias vezes, é o primeiro dos atributos que o diferenciam
da maioria dos materiais de embalagem.
2. O Vidro é reutilizável
Além das embalagens retornáveis, outra parte dos recipientes
de vidro é reutilizada de maneiras diferentes daquelas para as
quais foi fabricada. Essas embalagens são usadas para guardar grãos,
açúcar, alimentos, água na geladeira, ou objetos
como botões, parafusos, etc. Há quem as transforme em objetos
de adorno. E, como utensílio doméstico, quem não
tem em sua casa copos de vidro originalmente usados para acondicionar
requeijão, geléia ou algum derivado de tomate ? A possibilidade
de reutilização, para fins diversos, é outro atributo
que valoriza a embalagem de vidro e a qualifica como uma grande amiga
da natureza.
3.
O Vidro é 100% reciclável
As embalagens de vidro usadas e inservíveis
não devem ser caracterizadas como lixo, pois o conceito genérico
de "lixo" tende a confundir as pessoas. O vidro "velho"
constitui uma das mais nobres matérias-primas de que se tem notícia.
Num ciclo completo, os recipientes saem das vidrarias, vão para
as indústrias de alimentos, bebidas, perfumes, remédios,
etc. e de lá para a rede de distribuição, onde o
consumidor os compra. Depois de usados, eles são descartados. Quando
isso é feito de forma consciente e organizada, acabam voltando
para as vidrarias, onde são reaproveitados: reduzidos a cacos,
lavados e totalmente livres de impurezas, eles são adicionados
à mistura de matérias-primas e transformados em garrafas,
potes e frascos inteiramente novos. É a isso que se chama reciclagem.
No caso do vidro ela se dá sem perda de volume nem das propriedades
do material: um recipiente de vidro reciclado é tão impermeável,
inerte (não deixa sabor nem gosto no conteúdo) e puro quanto
um fabricado com matérias-primas virgens. Ao contrário de
outros materiais, as embalagens fabricadas com cacos de vidro não
sofrem restrições de uso por parte de organismos sanitários.
Nelas podem ser acondicionados alimentos, bebidas e medicamentos. As propriedades
do vidro se mantêm independentemente do número de vezes que
o material é reaproveitado para fabricar novas embalagens, o que
significa que o vidro é infinitamente reciclável. Todos
os recipientes de vidro, depois de usados e mesmo que estejam quebrados,
podem ser reciclados. A exceção, por razões de coleta,
são os vidros que formam o lixo hospitalar, cujo destino é
a incineração. Em meio a esse lixo são descartados
frascos de antibióticos e outros remédios. Mas se fossem
coletados separadamente, como acontece em países desenvolvidos,
seriam perfeitamente recicláveis, pois nas altíssimas temperaturas
dos fornos das vidrarias qualquer elemento contaminante é eliminado.
É pelo fato de que todo vidro vira vidro, num ciclo sem limite
e sem perda de propriedades, que se afirma que ele é 100% reciclável.
A total reciclabilidade é o terceiro atributo que ajuda a entender
porque a embalagem de vidro se harmoniza perfeitamente com a natureza.
Cuidados
Básicos:
Para
obter um preço melhor pelo material coletado, os cacos devem estar
livres de impurezas como: pedras, louça, terra, objetos metálicos,
plásticos como tampas e papéis. É importante orientar
o público, desde o início do programa de reciclagem, a eliminar
qualquer tipo de material como tampas, cápsulas de gargalos e adereços
das embalagens antes de promover o descarte. Estes elementos são
contaminantes que não só afetarão os novos recipientes
como poderão danificar o material refratário dos fornos,
reduzindo sua vida útil. A cada lote de cacos recebido pela vidraria,
é realizada uma análise para determinar a porcentagem dos
contaminantes.Cada vidraria utiliza uma uma tabela de descontos para esses
percentuais sobre o preço básico da tonelada de caco. As
tampas de metal, especialmente danosas ao processo de fabricação
de vidro, podem ser vendidas para reciclagem a pequenas metalúrgicas.
Rótulos não precisam ser eliminados, pois queimam totalmente
nas altas temperaturas dos fornos das vidrarias.É importante orientar
o público a também lavar as embalagens em casa antes de
descartá-las: isso evita a proliferação de insetos
e o mau cheiro e melhora a qualidade do caco, o que resulta em melhor
preço de venda. O público precisa ser orientado de que nem
todo vidro serve para a reciclagem de embalagens, embora possa ser aproveitado
para outras finalidades. Tipos de Impurezas: Pedras, concreto, tijolos,
louça, cerâmica e terra: Nas altas temperaturas do forno,
estes elementos estouram em pequenos fragmentos que dificilmente são
fundidos, podendo reaparecer nos produtos finais de forma heterogênea.
Estas impurezas provocam a quebra espontânea do vidro. Metais (ferro,
aço, alumínio, cobre): Estes materiais contaminam o vidro,
provocando manchas de cor totalmente diferentes no vidro de base. Provocam
bolhas ou aparecem no vidro acabado na forma de pedacinhos, pontos pretos,
manchas, nuvens de bolhas, metal fundido. O ferro é um forte fundente
do material refratário, podendo chegar a furar a sola e as paredes,
interrompendo a fabricação ou, no mínimo, diminuindo
a vida útil do forno. O alumínio se transforma em inúmeras
pedrinhas que provocam a quebra do vidro. Outros Vidros: Devido a sua
composição diferente do vidro comum, os cacos de formas
e outros utensílios " de fogão e geladeira" ,
bem como cinescópio de televisão, resultam em um produto
final heterogêneo. Vidros coloridos assim como cristais, contêm
chumbo que não é utilizado no vidro para embalagens.Também
não podem ser utilizados vidros planos e lâmpadas. Plásticos:
Em princípio, volatilizam às altas temperaturas de fusão
de vidro.Mas em excesso, podem alterar a atmosfera do forno, resultando
em reações químicas que alteram a coloração
ou criam bolhas.
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